
Por Vivaldo Simão
Quando perguntaram a Mark Chapman por que ele matou John Lennon, ele disse: “Leia O Apanhador no Campo de Centeio e você descobrirá. Esse livro é meu argumento”. Motivado pela frase de Chapman, li e pude entender, de fato, os motivos do assassinato de Lennon: Chapman era um doente mental. Só um doente mental seria capaz de agir violentamente e argumentar ter sido influenciado por um livro tão singelo e pacifista.
Escrita em 1951, pelo recluso J.D Salinger, essa novela conta a historia de Holden Caulfield, um jovem de 17 anos , estudante de um colégio interno, que volta para casa mais cedo no inverno depois de ter levado sido reprovado em quase todas as matérias. Na volta para casa, ao se preparar para enfrentar o inevitável esporro da família, Holden vai refletindo sobre tudo sua vida, expondo ao leitor sua peculiar visão de mundo. Escrito em linguagem coloquial e de uma maneira surpreendentemente juvenil (embora Salinger tivesse 47 quando o escreveu) o livro têm um espírito bem próximo do pós-punk. Parece o Morrissey, desconcertantemente sincero, contando historias de pessoas simples, habitantes comuns nas canções do The Smiths.
Os punks do Green Day, com suas citações a Caulfield em todos os álbuns da banda, o Pearl Jam (na canção In Hiding), a banda americana The Caulfields e Bill Halley e His Comets, com o rock-homenagem Rocking Through The Rye reafirmam a estreita ligação do espírito jovem do livro com o rock ‘n roll.
Bom. Li um resumo do livro (estou um pouco sem tempo para deleite em leituras periféricas). Pelo que percebi,o protagonista,de um modo geral, é um adolescente revoltado,com idéias e atitudes típicas dessa fase de mudanças e rebeldia,sonhos e idealizações,bem como frustrações ao perceber que a realidade muitas vezes não condiz com suas expectativas.Ingênuo,porém atento.Em uma matéria, Chapman disse que se identifica com o personagem do livro,pois este, além de revoltado,odiava falsidade, hipocrisia.Para Chapman,John Lennon era um hipócrita,que pregava uma coisa em suas músicas e fazia outra (algo típico dos hippies nos anos 60 e 70, apesar de acharem que estavam indo de encontro ao capitalismo e à sociedade consumista,ao contrário,patrocinavam,ainda que indiretamente,ramos de uma indústria agora em expansão por causa de suas ações, idéias e modos de vida,como a indústria audio-visual e a do vestuário).John Lennon não era santo,claro,nem bobo.A imagem que temos dele é a imagem que querem que tenhamos. É evidente que isso não justifica o fato de um perturbado mental tirar a vida de alguém,seja esse alguém famoso ou não.Mas,sob a lógica restrita de Chapman,perturbado ou não,arrisco em dizer que ele teve “suas razões” para fazer o que fez.
Israell Martins
November 12th, 2008
Nossaaaaaaaaaaaa
Adorei o post.
Stefano Ferreira
November 12th, 2008