
Por Vivaldo Simão
Certo dia, numa prateleira empoeirada da biblioteca de uma escola , encontrei essa clássico de George Orwell. Atraído pelo título (coincidentemente o ano do meu nascimento) e pela referencia ao John Lennon numa nota na contracapa, levei o livro pra casa e devorei-o.
As referencias ao Lennon e ao ano do meu nascimento figurava apenas na capa/contracapa. O que descobri foi, na verdade, o livro mais cru e perturbador do mundo. Eu tinha 16 anos e me emocionei de uma maneira estranha: terminei o livro chorando, tomado por um tipo de ódio como o de quem leva um soco covarde no estomago e não pode reagir. Na historia de Winston Smith, sufocado por um mundo decadente, onde cada individuo é absolutamente controlado (idéias, atos, emoções) pelas mãos e olhos do mítico Grande Irmão e seu governo totalitarista, Orwell pinta um quadro profundamente preocupante do futuro usando as tintas cabíveis a quem viveu face a face com o surgimento do nazi-fascismo e que conhecia também os perigos do Socialismo levado ao extremo.
A pálida tentativa de Winston Smith (e sua Julia) de lutarem contra o lado mais forte e a crueldade da descoberta da pequenez do homem diante de tudo que lhe é imposto é um retrato da realidade, sem photoshop ou maquiagem. A nudez, a crueza, o cinza, a porrada no estomago dão um espírito rock n’ roll a essa obra, que aliás inspirou muita gente boa, como o Tom Yorke (Radiohead) e sua obra prima “Ok Computer” (sem contar na faixa de abertura do Hail to The Thief: 2+2=5, a referencia mais explicita), David Bowie com seu Diamond Dog (totalmente inspirado no livro), entre outros.
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